
Casa de António Gomes Ferreira da Rocha

Casa da Lavoura de Ana Gomes Serra
Cena Rural

Jornaleiros

Foi nos vales (principalmente no dos Porralhos, que longitudinalmente corre entre duas elevações – a Serra de Rates, a nascente, e a Serra do Monte, a poente – beneficiando a sua fertilidade com o microclima que esta privilegiada situação oferece) que as casas de lavoura assentaram a sua exploração. (...)
Imagem datável, aproximadamente de 1900
Mas foi na encosta e na cumeeira da elevação a nascente (a Serra do Monte) que se radicaram aqueles que, numa Terra onde a divisão de classe era nítida e assumida, “serviam” como trabalhadores rurais (jornaleiros – “moços” e “moças”, na linguagem local). Como atrás dissemos, era daí que eles desciam “em bandos de família inteira”, uns para trabalhar nas casas e nas actividades agrícolas, outros como pedreiros assentando xisto que antes arrancavam às entranhas da Terra (e nisto se ocupavam adultos e crianças), construíndo muros d vedação entre campos que são, hoje, além de obras de arte (alguns deles), memoriais de um tempo escravo. (...)
Imagem datável, aproximadamente de 1900
Se era no vale, nas margens do escasso Porralhos, que assentavem alguns moinhos (rectangulares, feitos invariavelmente de xisto), era na cumeeira do monte que, quando no vale faltava água, moinhos de vento trituravam o grão, quando não a paciência dos que, noites inteiras, ali aguardavam a melhor hora de um vento preguiçoso. O vale e a encosta ligados, pois, por uma comum e oposta pertença à Terra e ao seu fruto masi apetecido – aquele que dava o pão. (...)
Imagem datável, aproximadamente de 1900
O vale e a encosta necessariamente ligados num projecto que pretende ser o roteiro das memórias de uma Terra que, condenada (e ainda bem) a viver do campo e no campo, não pode esquecer as suas origens – hoje, um vasto e disponivel património cultural que, no seu conjunto e diversidade, evoca um tempo, uma condição, uma mundividência com que o futuro não conta, mas que é decisivamente importante para que os jovens de hoje e amanhã percebam de que terra são filhos e sejam portadores de referências culturais que, evitando o seu desenraizamento, são fundamentais para o seu equilibrio emocional. (...)
O vale da fertilidade e a encosta (e a cumeeira) escassa, o vale das grandes casas agrícolas e o monte dos iniciais (e, hoje, raros) casebres de xisto, o vale de poucos e o Monte de todos os que não tinham onde guardar a prole – estas duas realidades são, no seu contraste e comprementaridade, indissociáveis quando se pretende fazer a história e o retrato autênticos de São Pedro de Rates.
Imagem datável, aproximadamente de 1900
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